Midiatização traz mudanças no campo religioso
abril 16, 2010 by Franksnei Rangel
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Estudiosos da religião e dos meios de comunicação assinalaram que a midiatização da religião está gerando profundas mudanças na concepção da autoridade institucional dos movimentos e grupos religiosos no mundo.
No Congresso sobre Comunicação Religiosa, realizado em Chicago de 7 a 12 de abril, Stewart Hoover sustentou que as pessoas experimentam hoje uma intensa busca de espiritualidade coletiva e individual através de outros espaços, diferentes daqueles que a religião tradicionalmente institucionalizada oferece.
Diretor do Centro para os Meios, a Religião e a Cultura da Universidade de Colorado, Hoover afirmou que “as instituições religiosas tradicionais sentem-se ameaçadas porque os meios provêem um novo contexto no qual os crentes podem compartilhar idéias, símbolos e valores comuns”. Neste novo cenário, os fiéis recriam a fidelidade religiosa, construindo novas imagens de autoridade e pertença, acrescentou.
O presidente da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês), Denis Smith, sustentou que em vários países do mundo se observa, por um lado, que junto com a perda de poder cultural que a religião tradicional experimenta, há uma significativa emergência de novos atores religiosos que aparecem como menos hierarquizados e marcados por uma perspectiva empresarial da fé.
Nesse contexto, os meios se converteram em plataformas públicas das tensões e negociações que o campo religioso contemporâneo dá conta, disse Smith. “Vivemos numa época em que a extraordinária efervescência da indústria tecnológica convive com ancestrais tradições culturais, e o crescente pluralismo coexiste com os neofundamentalismos”, avaliou.
Smith agregou que os grupos religiosos experimentam, simultaneamente, pressões para consolidar suas identidades particulares e ao mesmo tempo assimilam os valores da cultura dominante.
A professora universitária Heidi Campbell, do Texas, compartilhou suas recentes pesquisas sobre religião no ciberespaço. Ela detectou que as práticas religiosas virtuais que transitam no mundo da Internet contribuem para a construção de novas formas de estabelecimento da autoridade religiosa, tanto no interior das comunidades de fé como na esfera pública.
“A Internet está criando novos líderes religiosos e novas comunidades de fé. E isto afeta não só os papéis senão também as estruturas de autoridade e os padrões de organização sobre os quais tradicionalmente se afirmaram as igrejas e os grupos religiosos”, afirmou.
Campbell observou que mais do que uma simples rejeição ou aceitação sobre o uso das novas tecnologias da comunicação, as comunidades religiosas estão desenvolvendo estratégicas negociações a partir de suas histórias e crenças com as novas formas de crer que as redes sociais midiáticas propiciam.
Os estudiosos de diferentes campos concordaram que os meios não são hoje meros canais de difusão de idéias e crenças religiosas. Sua interatividade está contribuindo significativamente para moldar novas articulações da religião, nas quais os tradicionais mitos, símbolos e rituais estão sendo transformados pela midiatização da cultura.
ALC/Notícias Cristãs
Robinho diz que religião foi o motivo para não participar de ação solidária
abril 14, 2010 by Franksnei Rangel
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Religião e cultura na formação de professores
fevereiro 26, 2010 by Franksnei Rangel
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Rio de Janeiro - A formação de professores das redes pública e privada incluirá subsídios sobre ensino religioso e cultura brasileira. A proposta é do Instituto A Vez do Mestre, centro de formação ligado à Universidade Cândido Mendes, que prepara o lançamento de um curso de pós-graduação presencial voltado para o tema.
Segundo a coordenadora Carly Machado, a decisão se apoia em frequentes debates sobre a implementação do Ensino Religioso em escolas públicas, realizados em diferentes Estados brasileiros e que têm suscitado questões como a relação entre religião e sociedade, a partir das especificidades da cultura brasileira e suas diversas matrizes religiosas.
Por serem temas que despertam a atenção, de maneira especial num Estado laico, religião e educação têm desdobramentos em diversos campos, destacando-se os morais, com aproximações a assuntos como a sexualidade, a diversidade cultural e o debate do ensino religioso. São situações presentes na realidade e que funcionam como pano de fundo para debater “Ensino Religioso e Cultura Brasileira”.
Voltada para educadores interessados no diálogo religião e sociedade, com incidência na prática do ensino religioso em escolas públicas e instituições religiosas, essa proposta propõe o debate com profissionais de outras áreas que desenvolvem atividades nos dois campos da realidade brasileira. Para Carly, o “curso se propõe a promover, a partir do debate específico do ensino religioso, reflexões mais ampliadas sobre a questão da religião na sociedade brasileira contemporânea, e seus desdobramentos na ação do educador que trabalhe ou não diretamente com esta temática”.
Com data de início prevista para 27 de março, as inscrições já estão abertas e, assim como outras informações, podem ser encontradas em www.avm.edu.br, a página desta Instituição de Ensino Superior na internet.
ALC/VirtudeGospel
Livro sobre lendas da Umbanda gera polêmica em escola no Rio

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As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro Lendas de Exu, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica. A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina. Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”. Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista. Até cinco anos de prisão “Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac. Em 180 páginas, o livro Lendas de Exu, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu. Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro. Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer. O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “as ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”. Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”. |
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Fonte: Terra/bibliaworldnet |
Livro sobre lendas da Umbanda gera polêmica em escola no Rio

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As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro Lendas de Exu, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica. A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina. Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”. Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista. Até cinco anos de prisão “Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac. Em 180 páginas, o livro Lendas de Exu, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu. Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro. Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer. O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “as ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”. Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”. |
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Fonte: Terra/bibliaworldnet |
Com foco na religião, jogador Nenê não sonha com Rio-2016
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“Eu estarei aposentado daqui a sete anos”, declarou o ala/pivô, ao site norte-americano Fan House. “Estou falando sério. Não quero estar jogando até lá porque tenho outros objetivos”, afirmou. Evangélico, o paulista de São Carlos explicou que pretende se dedicar à religião. “Tenho um acordo com o meu pastor e quero estar mais envolvido com a igreja no Brasil”, explicou o atleta, que passou por várias lesões em sua carreira e superou um câncer no testículo no início de 2008. “Posso usar o meu testemunho para mudar a vida das pessoas”, comentou Nenê, que costuma ter a palavra “Jesus” em seus tênis. Sobre um possível retorno á seleção brasileira, classificada para o Mundial do ano que vem, o jogador não quis fazer especulações. Casado com uma norte-americana, a ex-jogadora de vôlei Lauren Prothe, Nenê pretende se dividir entre Brasil e Estados Unidos após a aposentadoria. E, apesar de suas opções, o atleta vê com empolgação as Olimpíadas cariocas. “Vai ajudar um monte de crianças a se empolgarem com os esportes e vai ser bom em termos de apoio para os atletas. Estou feliz, porque as crianças brasileiras não tem muitas coisas”, declarou Nenê. |
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Fonte: O Povo |
Igrejas neopentecostais nascem com a midiatização
A constatação foi apresentada pelo jornalista Micael Vier Behs no encontro do Fórum Luterano de Comunicação (FLC), evento que reuniu no sábado, 26, nas dependências do Colégio Concórdia, em São Leopoldo, profissionais e agentes que professam ou estão vinculados às assessorias de imprensa das duas igrejas dessa família confessional que atuam no Brasil.
Micael estudou as estratégias discursivas da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para sua dissertação de mestrado. Destacou que a Universal, como igreja midiática, não se limita à mídia audiovisual, mas também recorre ao jornalismo impresso para o desenvolvimento de competências simbólicas.
“A IURD projetou a religião para o céu aberto, instituindo um ambiente relacional capaz de reunir indivíduos distanciados no tempo e no espaço em torno de valores, expectativas e interesses”, assinalou o painelista. Se no passado o templo era o lugar clássico ocupado pelo fiel no contato com o religioso, “hoje ele dispõe de uma infinidade de canais e de operações da mídia para vivenciar experiências do sagrado.”
A Folha Universal não representa um simples instrumento a serviço de uma organização religiosa, mas o jornal configura a própria identidade da IURD, que não se limita ao religioso, mas adentra o campo político. Tanto assim que nas eleições de 2006 e 2008, a igreja fundada pelo bispo Edir Macedo mobilizou rituais e linguagens midiáticas no intuito de inserir seus fiéis no processo eleitoral.
No entanto, a IURD não articula a sua intervenção e ações políticas formalmente inscritas enquanto partido político, mas desenvolve uma intensa atividade midiática-religiosa, de forma marcante a partir de 2008, quando a Folha Universal passa por uma reformulação editorial, gráfica e discursiva, apontou Micael.
O professor de Comunicação, Astomiro Romais, apresentou no evento painel mostrando a contribuição de Martinho Lutero para a mídia da Idade Média. Lutero foi um comunicador, disse Astomiro, que se comunicava com o povo. Cada sermão era, para o reformador, um “trabalho de artesanato verbal”, pois, dizia ele, “a linguagem da Bíblia para o povo deve ser como a linguagem da mãe para com o filho”.
Lutero também fez uso de símbolos com grande propriedade, o que hoje representaria uma força semiótica, como o foi a queima da bula papal que o excomungava em fogueira pública. Estudiosos da comunicação descobriram que nas pessoas comuns fatos, mensagens, acontecimentos são gravados de forma mais rápida pelos olhos do que pelos ouvidos, lembrou Astomiro.
Fato é que Luterno recorreu à tecnologia disponível no momento, o invento de Guttemberg, para fazer correr o mundo as traduções do Antigo e do Novo Testamentos, livros e catecismos. ”Nos tempos modernos é necessário falar com mais pessoas do que apenas com o nosso vizinho”, afirmava.
“Na ponte entre o sagrado e o homem, o tapete vermelho é a comunicação”, frisou Astomiro. Em tom provocativo, o professor da Universidade Luterana do Brasil perguntou como seria a comunicação de Lutero nos dias de hoje, quando, no Brasil, são vendidos 29 mil computadores por hora! “Que recurso ele utilizaria?” – indagou.
O publicitário Artur Sanfelice Nunes analisou a Comunicação na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e o pastor Lucas Albrecht traçou perspectivas sobre a Comunicação na Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB).
Nunes apresentou sites, blogs, twitter e páginas de relacionamento alimentadas pela igreja ou por membros. Já o pastor Lucas destacou que as igrejas tentam tirar o máximo proveito dos meios de comunicação, racionalizando a relação custo/benefício.
O FLC, promotora do encontro, é uma entidade autônoma a serviço das igrejas luteranas brasileiras e reúne comunicadores luteranos. O Fórum tem por propósito estimular o intercâmbio e a colaboração entre a IECLB e a IELB na área da comunicação, no desenvolvimento das mídias para as atividades missionárias e pastorais, e incentivar a formação de pessoas comprometidas com a comunicação.
A próxima reunião do FLC está agendada para novembro de 2010, na Faculdades EST, em São Leopoldo.
Fonte: ALC
Internacional:Ofensas a religiosos pode render prisão
ARGENTINA (*) – Esse é o ponto mais controvertido da iniciativa que começou a tramitar no início de agosto na Comissão de Relações Exteriores e Culto da Câmara baixa. O projeto responde a uma antiga reivindicação das igrejas evangélicas, que reclamam a criação de uma personalidade jurídica especial – de objeto religioso – que lhes confira status diferente ao de uma sociedade de fomento ou de um clube desportivo, como ocorre na atualidade.
Também atribuirá ao Estado a discutível potestade de definir qual prática é religiosa e qual não é. Mas o projeto não toca no status jurídico privilegiado da Igreja Católica, definido na Constituição Nacional. E não inclui o direito a não-professar religião alguma.
Em realidade, o projeto retoma um texto cuja discussão e consenso o então secretário de Culto, Norberto Padilla, do goveno de Fernando de la Rua, promoveu em 2001, com o objeto de substituir a Lei 21.745 regulamentada pela ditadura militar.
A desintegração da gestão da Aliança sepultou aquela iniciativa. A deputada Hotton introduziu nele algumas modificações e atribuiu-se a paternidade, ainda que procurou o apoio de referentes de diferentes forças para que não ficasse rotulado como um projeto do PRÓ.
Hotton pretende capitalizar a sanção desta polêmica lei ao interior do campo religioso, principalmente entre os grupos evangélicos, de onde, paradoxalmente – ou não –, procura acrescentar seu capital político. Os grupos evangélicos se converteram nas últimas décadas na primeira minoria religiosa: representam 9% da população, segundo a Primeira Enquete sobre Crenças e Atitudes Religiosas na Argentina, realizada em 2008 através de trabalho articulado entre quatro universidades nacionais.
Hotton diz que seu projeto tem o apoio do cardeal Jorge Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, e que conta com o respaldo da Aliança Cristã Evangélica da República Argentina (Aciera), que congrega a maior quantidade de igrejas evangélicas, as que mais cresceram nos últimos anos (pentecostais, batistas, Assembléia de Deus), com exceção das históricas.
O regulamento, ratificado na reforma de 1994, protege o direito de professar livremente o culto. Complementariamente, a Argentina é signatária de diversos tratados internacionais que gozam de status constitucional e que fazem referência à liberdade de consciência, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, detalhou Esquivel.
O artigo mais polêmico do projeto é o 31, que incorpora um novo capítulo ao Código Penal sob o título de Delitos “contra a liberdade religiosa e de consciência”. Entre os diferentes tipos penais que cria, o mais grave é o que prevê prisão de seis meses a dois anos para quem “agredir de fato ou em palavra a um ministro de uma confissão religiosa reconhecida em ocasião do exercício de atos próprios de seu ministério ou pelo fato de sê-lo”.
“Aqui está o problema que pode dar lugar a arriscadas interpretações”, advertiu o advogado penalista Ciro Annicchiarico.
A respeito da agressão “de fato” ele é redundante, considerada a lei vigente: qualquer agressão física, a qualquer pessoa pelo fato de sê-lo, já está prevista na lei penal, assinalou Annicchiarico.
“O problema está na parte que expressa: ‘agredir em palavra’. Se em tal caso por agressão se entenda algum suposto de injúria ou calúnia, conforme aos artigos 109 e 110 do Código Penal, ainda que se trate de disposições discutíveis a respeito das quais muitos penalistas defendem a sua eliminação, por obsoletas e condicionantes da liberdade de expressão, caberia dizer o mesmo: não faria defeituosa incluir outra disposição mais. Agora bem, se por agressão ‘de palavra’ a alguém, sem escrúpulos ou intencionalmente se lhe ocorresse entender ‘crítica’, ‘questionamento’, ‘manifestação de opinião adversa’, ainda que for efetuada de maneira veemente, então sim estaríamos mal. Este projeto, nesse aspecto, parece invadir perigosa e em tal caso inconstitucionalmente o lugar do direito ao debate e à crítica de idéias”, opinou Annicchiarico.
“É o mais perigoso de todos os artigos”, disse. “Parece ter sido pensado expressamente para aplacar as críticas aos personagens nefastos da Igreja Católica como (Julio César) Grassi e (Christian) von Wernich”, assinalou Cristina Ferreyra, da Associação Civil de Ateus na Argentina (Argatea), em referência ao sacerdote condenado a 15 anos de prisão por abuso sexual de menores e ao ex-capelão da Polícia de Buenos Aires sentenciado à prisão perpétua pela comissão de delitos de lesa humanidade.
O projeto promovido por Hotton cria o Registro Nacional de Confissões Religiosas, dentro da Chancelaria, ante o qual poderão tramitar sua inscrição “as igrejas, comunidades e confissões religiosas” que desenvolvam suas atividades dentro do território argentino.
Assim, poderão obter personalidade jurídica de objeto “religioso”, que lhes permitirá aceder, entre outros benefícios, a isenções de taxas. Sua inscrição ficará condicionada ao cumprimento de uma série de requisitos.
Neste ponto, Esquivel adverte sobre outro aspecto polêmico da proposta legislativa: “Outorga-se ao Estado a discutível atribuição de definir qual prática é religiosa e qual não é. Na realidade, ao poder político compete tutelar pelo direito à liberdade de consciência e de religião indicado na Constituição Nacional, mas não é de sua competência definir o que é uma religião”, assinalou Esquivel.
“México e Brasil são dois exemplos próximos nos quais não há lei de liberdade religiosa e, no entanto, suas instituições e indivíduos gozam da mais ampla liberdade de pensamento, de consciência e de religião”, concluiu.
Fonte: Portas Abertas/GospelJovens
Pesquisa mostra que 75% dos católicos são contrários a acordo do Brasil com o Vaticano
Pesquisa do instituto Ibope feita a pedido da organização não governamental Católicas pelo Direito de Decidir aponta que 75% dos católicos entrevistados discordam ou pelo menos têm restrições a um acordo fechado com apenas uma religião.
O levantamento foi realizado para tratar do acordo bilateral assinado entre o governo brasileiro e o Vaticano, que agora tramita no Congresso.
Aprovada na semana passada pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara, a proposta tem 20 artigos que criam um estatuto jurídico e dão direitos à Igreja Católica no Brasil. Entre outros pontos regulamenta a forma do ensino religioso nas escolas públicas, prevê que o casamento oficiado pela igreja, caso siga também as exigências do direito civil, tenha valor jurídico e estabelece que o Estado brasileiro vai ajudar a preservar os bens móveis e imóveis, como igrejas e obras de arte
A pesquisa do Ibope, no entanto, mostra que a proposta de dar privilégios a uma única religião desagrada à maior parte dos entrevistados, mesmo aqueles que poderiam, em tese, ter seu credo beneficiado. Entre os católicos, 44% acreditam que um acordo bilateral não deveria existir porque o Estado brasileiro não tem religião oficial. Outros 31% acham que aprovar um acordo desse tipo desrespeita as demais religiões.
O porcentual sobe quando as perguntas são feitas a pessoas de outra fé, como os evangélicos. Mas é maior ainda entre aqueles que se dizem agnósticos, ateus ou de religiões com menos expressão no Brasil, como espíritas e budistas. Entre esses, 82% reprovam o acordo.
“É um acordo totalmente inadequado e absolutamente na contramão do processo histórico. A cultura brasileira é de enorme tolerância religiosa. Dar privilégios a uma única religião vai contra a Constituição”, diz Maria José Rosado, coordenadora da ONG Católicas pelo Direito de Decidir.
Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não há privilégios no acordo – a não ser pelo fato de que a religião católica é um Estado e, como tal, pode assinar um acordo bilateral com o governo brasileiro, o que não acontece com outras religiões. “A concessão de privilégios é uma mentira. Tudo o que está no acordo está na legislação brasileira. Se não agrada, então é preciso mudar a lei”, diz dom Orani João Tempesta, presidente da comissão episcopal pastoral de educação, comunicação e cultura e arcebispo do Rio.
Já o Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que divulgou nesta terça-feira (25) uma nota na imprensa, vê o acordo como discriminação às outras religiões. “O Estado é laico, não pode privilegiar ninguém. Eu não quero privilégios para os evangélicos, mas não pode um Estado teocrático fazer um acordo desses com um Estado democrático”, afirma o pastor Silas Malafaia, vice-presidente do Cimeb.
O texto terá de passar pelas comissões de Educação, Trabalho e Constituição e Justiça, antes de ir ao plenário. Depois, o mesmo processo se repete no Senado.
Fonte: Bem Paraná
Ensino religioso em escolas públicas pode gerar discriminação, avalia professor
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O ensino religioso que aborda uma doutrina específica pode gerar discriminação dentro das salas de aula, segundo o sociólogo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Vaidergorn. “O ensino religioso identificado com uma religião não é democrático, pode ser considerado discriminatório”, disse em entrevista à Agência Brasil. Segundo Vaidegorn, o ensino voltado para uma determinada religião pode constranger os alunos que não compartilham dessas ideias. O professor ressalta ainda a possibilidade de que, dependendo da maneira que forem ministradas, as aulas de religião podem incentivar a intolerância entre os estudantes. As aulas de religião estão previstas na Constituição de 1988. No entanto, um acordo entre o governo brasileiro e o Vaticano, em tramitação no Congresso Nacional, estabelece o ensino católico e de outras doutrinas. A inserção do elemento religioso no processo educacional pode, segundo Varidergorn, gerar conflitos. “Em vez da educação fazer o seu papel formador, o seu papel de suprir, dentro das suas condições, as necessidades de formação da população ela passa a ser também um campo de disputa política e doutrinária.” O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, contesta a justificativa apresentada na lei de que o ensino religioso é necessário para a formação do cidadão. “Não podemos considerar que a questão ética, a questão moral, o valores sejam privilégios das religiões”, ressaltou. A presença do elemento religioso não faz sentido na educação pública e voltada para todos os cidadãos brasileiros, segundo ele. “ A escola é pública, e a questão da fé é uma coisa íntima de cada um de nós”. Ele indicou a impossibilidade de todos os tipos de crença estarem representados no sistema de ensino religioso. Segundo ele, religiões minoritárias, como os cultos de origem afro, não teriam estrutura para estarem presentes em todos os pontos do país. Além disso, as pessoas que não têm religião estariam completamente excluídas desse tipo de ensino, como destacou o presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), Daniel Sottomaior. “Mesmo que você conseguisse dar um ensino religioso equilibradamente entre todos os credos você ia deixar em desvantagem os arreligiosos e os ateus.” Sottomaior vê com preocupação a possibilidade de a fé se confundir com os conhecimentos transmitidos pelo sistema educacional.“Como o aluno pode distinguir entre a confiabilidade dos conteúdos das aulas de geografia e matemática e o conteúdo das aulas de religião?” Para o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, a religião é parte importante no processo educacional. “Uma educação integral envolve também o aspecto da dimensão religiosa ao lado das outras dimensões da vida humana”, afirmou. |


km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.
Com 27 anos recém-completados e titular do Denver Nuggets na última temporada, Nenê tem tudo para comandar a seleção brasileira de basquete durante as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro. O atleta, entretanto, revelou que não planeja estar na disputa.






